As melhores coisas do mundo

À primeira vista parece mais uma produçãozinha comercial, nos moldes do bobo e manjado “folheteen” global. Mas tente ir além da foto do cartaz e superar essa primeira impressão. Você não se arrependerá: sim, o filme de Laís Bodanzky surpreende positivamente. Não acredita? Continue lendo que vou te convencer.

Primeiro considere o breve (mas relevante) histórico da Laís: antes de “As melhores coisas do mundo”, ela filmou o ótimo “Chega de Saudade” e o excelente “Bicho de Sete Cabeças”. Este argumento ainda não é suficiente?

Então saiba que o roteiro foi escrito por Luíz Bolognesi, responsável pela estrutura dos dois longas da diretora e também de “O Mundo em Duas Voltas”, todos premiados (pela Academia Brasileira de Cinema, pela APCA e nos Festivais de Recife e de Brasília). Não bastasse isso, ele se inspirou desta vez nos livros da série “Mano”, de Heloísa Prieto e Gilberto Dimenstein – um dos caras que melhor entendem de adolescência no país.

Agora acho que já está mais fácil de me dar um crédito, certo? Pois digo que há tempos não assistia a um filme que conseguisse me transportar para dentro da história tão magicamente. E Laís, Luíz e sua narração conseguiram.

Pela leveza e profundidade com que abordam temas delicados e o turbilhão de emoções que é a adolescência, assim como retratam fielmente as dificuldades que enfrentamos quando a vida adulta começa a se aproximar. Problemas familiares, separação, homossexualidade, o primeiro amor e a primeira vez, novidades tecnológicas, preconceito, bullying, dilemas éticos e depressão não ficam fora da lista, é claro.

A qualidade das cenas e a condução dos atores também impressiona. O estreante Francisco Miguez, que faz o protagonista Mano, realmente me encantou – ainda mais que o irresistível Fiuk. A impecável atuação de Denise Fraga contribui para a intensidade das principais sequencias e, como ninguém é de ferro, Caio Blat e Paulo Vilhena enfeitam a tela – além de representarem muito bem seus papéis. ZéCarlos Machado, Gustavo Machado e os novatos Gabriela Rocha, Gabriel Illanes e Julia Barros completam o elenco principal.

Se ainda não consegui te convencer, mais um ponto positivo da produção: a trilha sonora, de Bid (que também foi premiado com “Chega de Saudade”), está ótima. Só para você ter uma ideia, a trama é conduzida pela “Something” - curiosidade: este é o único filme brasileiro a licenciar uma música dos Beatles.

E, para fechar com chave de ouro, acrescento que a montagem ficou sob responsabilidade de ninguém menos que Daniel Rezende, que ganhou o Bafta e foi indicado ao Oscar de melhor edição com Cidade de Deus.

Resumindo: mais que conseguir retratar a juventude atual da maneira que Malhação nunca conseguiu, “As melhores coisas do mundo” é um dos mais interessantes longas produzidos no Brasil nos últimos anos.

Posso, sim, estar exagerando nos elogios. Mas se você chegou até aqui, não perca mais tempo e corra para o cinema mais próximo - nem que seja somente para reunir argumentos e discordar de mim!

As melhores coisas do mundo:
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